quinta-feira, 25 de abril de 2013

Divulgação de Prêmio...



A mais importante premiação brasileira na área do Patrimônio Cultural vem com novidades este ano. Já estão abertas as inscrições para 26ª edição doPrêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que agora tem oito categorias, ampliando assim a identificação e a participação da sociedade civil, de órgãos governamentais e de profissionais que desenvolvem ações e projetos de valorização, divulgação e preservação do patrimônio cultural. Em 2013, a premiação celebra também os 120 anos de nascimento do modernista  Mário de Andrade que, em 1936, a pedido do então ministro da Educação, Gustavo Capanema, elaborou o anteprojeto de lei que resultou na organização jurídica da proteção do patrimônio cultural brasileiro e na criação do atual IPHAN.
O edital foi publicado no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 24 de abril. As inscrições devem ser feitas até 15 de junho, exclusivamente  via postal, enviando-se o material para as Superintendências do IPHAN. Os endereços estão listados no edital e também  disponíveis no site do IPHAN (www.iphan.gov.br). As Superintendências promoverão a pré-seleção das ações correspondentes aos seus estados ou ao Distrito Federal e as ações selecionadas nestas etapas estaduais serão encaminhadas para a Comissão Nacional de Avaliação, que posteriormente anunciará os nomes dos vencedores nacionais. Os candidatos poderão esclarecer dúvidas e obter mais informações sobre o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade junto ao Departamento de Articulação e Fomento (DAF/IPHAN) pelos telefones (61) 2024-5462, 2024-5463 e fax (61) 2024-5499 e também pelo e-mailpremio.prmfa@iphan.gov.br.
Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade é uma homenagem ao primeiro presidente do IPHAN e foi criado em 1987 em reconhecimento a ações de proteção, preservação e divulgação do patrimônio cultural brasileiro. A partir deste ano, está dividido oito  categorias:
I. Patrimônio Material: Bens Imóveis e Paisagens Naturais e Culturais;
II. Patrimônio Material: Bens Móveis e Acervos Documentais;
III. Patrimônio Imaterial;
IV. Patrimônio Arqueológico;
V. Políticas públicas, programas e projetos governamentais;
VI. Responsabilidade Social;
VII. Comunicação e mobilização social;
VIII. Ações Educativas.
Essa inovação organiza mais claramente a participação de profissionais, empresas, poder público, comunidades e instituições de sociedade civil, ao estimular a participação de arquitetos, urbanistas, restauradores, paisagistas, engenheiros e outros profissionais que desenvolvem atividades neste campo do conhecimento; e ao valorizar as ações empreendidas por entidades governamentais voltadas para políticas públicas; empresas que desenvolvem ações de responsabilidade social para a preservação do patrimônio  e entidades da sociedade civil dedicadas à educação patrimonial, mobilização e comunicação social.


QUEM TOPA PARTICIPAR CONOSCO??? Não é so mente para profissionais.

domingo, 21 de abril de 2013

RESPONDA SE QUISER COLABORAR


DIVAGAÇÕES SOBRE  CONSERVAÇÃO e RESGATE DO NOSSO PATRIMONIO.

A área em exame deveria  ser a paisagem formada pelo conjunto de casarios (sem vidro fumê) composto por edificações representativas de nossos periodos históricos principais (Landi/ borracha): meados do século XVIII, fins século XIX e inicio Sec. XX.

PERGUNTAS:
1-      QUAL  ESTEIO  RENOVA O SIGNIFICADO HISTÓRICO CULTURAL DO NOSSO PATRIMONIO?
Resp-  a sua restauração pois serve para  preservar a memória  coletiva.
Partindo desse principio, agora prove a responder:
2-      Será  justo remodelar os centros históricos quais cenários de cores fortes ?
3-      Desse modo é por acaso preservada a memória coletiva?
4-      O que prevalece nesse caso?  A memória ou o saldo econômico que aquele ‘novo’ ambiente pode vir a criar?
5-      O que reflete de mais importante?  O interesse de quem é de  fora (o turista) ou do morador?
6-      Você acha justo que os projetos  das áreas históricas sejam feitos somente por especialistas?
7-      Uma construção coletiva usando a vivência da população da área interessada não estabeleceria  melhor uma identidade cultural ?
8-      A pouca ou nenhuma participação coletiva na construção desse espaço, não provocaria na comunidade local uma percepção diferente,  como sendo  do outro o espaço restaurado e não seu?
9-      A restauração como promoção do valor econômico do patrimônio não acabará  transformando-o num espaço estático onde a nova paisagem parece mais com o  cenário típico de um filme?
1-   O ideal seria a valorização das raízes locais e o resgate e  aprofundamento do sentimento de identidade da população e de seus elos com o local.  Como conseguir isso?

Gostariamos que essas perguntas servissem para pensar melhor a respeito do nosso patrimônio; da sua defesa, da sua salvaguardia, da sua conservação. Ele é propriedade de todos nós.


sábado, 13 de abril de 2013

A INSEGURANÇA É SÓ UMA SENSAÇÃO?


Recebemos e publicamos esse desabafo do amigo Paulo Fadul.

Quem disse que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar? pois ontem tivemos nova "sensação de insegurança".

Eu, Ana, Tania, Bernardo, Érica e Flavinha, fomos novamente vítimas de sequestro relâmpago quando chegávamos ao prédio do Fernandinho, que fazia aniversário. Dois adolescentes armados nos renderam, entraram no carro e com a arma na cabeça do Bernardo, nos levaram para um passeio, comigo dirigindo, até levarem o que tínhamos, e nos deixaram no canal da Visconde.

Fomos bem atendidos pela PM, que em 20 minutos prendeu um dos adolescentes, levando para a DATA, onde fiz a ocorrência, e também fui bem atendido. Estamos todos salvos fisicamente.

Esses são os fatos, agora vem o desabafo:

Que caralho faz a merda do governo do estado que não cumpre a constituição e promove a segurança da população? O fato de ter sido bem atendido pós assalto não significa que a segurança pública funciona. E se eu tivesse sido também maravilhosamente atendido no IML, isso consolaria a dor pela perda de um filho?

Que merda de legislação é essa que não me permite divulgar nome e foto do bostinha que ameaçou meu filho de 6 anos com uma arma? A foto da vítima no caixão pode?

Que porra de lei permite um merdinha ficar preso para "medidas correcionais" por 5 dias, ser liberado e cometer novos crimes?

O que pensam os filhos da puta defensores desses marginais, em relação ao direito da vida de meus filhos ser inferior ao direito de quem comete crimes, seja de que idade for?

Que merda de sensação é essa que sinto em esfolar até a morte esses filhos da puta que fizeram mal aos meus filhos, se eu fui pra missa na véspera? Será, meu Deus, que só eu sinto isso? Será que o bandido sou eu? Parece que sim, porque depois do primeiro assalto, fiquei recluso em casa. Agora ficamos no exílio de nós mesmos.

Que Deus abençoe nossos filhos, e que não permita que sejam transformados em simples fotos estampadas em camisetas brancas, a desfilar pela Praça da República. Amém. "


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segunda-feira, 8 de abril de 2013

CRIMES CONTRA NOSSO PATRIMONIO


ESTAS CASAS, EM MOMENTOS DIFERENTES NESTE ULTIMO ANO, FORAM OBJETO DE ...INCENDIOS.

ESTA CASA, COMO MUITAS OUTRAS AZULEJADAS, FORAM OBJETO DA ATENÇÃO DE COLECIONADORES...

sábado, 6 de abril de 2013

DETERIORAÇÃO DO NOSSO PATRIMÔNIO


PARA QUEM NÃO LEU NO JORNAL:
Capela de São Francisco sofre com deterioração

Quarta-Feira, 03/04/2013, 08:37:39 - Atualizado em 03/04/2013, 08:37:39 Diário do Pará

Diante do risco iminente de ser perder mais uma parte da memória de Belém, a direção do Hospital da Ordem Terceira faz um apelo à sociedade paraense e chama a atenção do poder público para o estado de deterioração em que se encontra a Capela de São Francisco da Penitência. As paredes, erguidas com pedras e cal, apresentam infiltrações e rachaduras. Algumas luminárias estão com a fiação exposta.

Na nave central e no teto as manchas de umidade aos poucos apagam a nitidez das pinturas e da arte predominante no interior da capela – que abre apenas aos domingos para a celebração da missa no final da tarde. O hospital não conta com recursos para a reforma e restauração do espaço, que precisa urgentemente de uma revitalização.

A capela de São Francisco se constitui num dos mais belos templos religiosos do Pará, tendo sido construído entre os anos de 1748 e 1754. A edificação guarda diversas obras de arte, algumas em estilo barroco outras em estilo neoclássico, que se não forem restauradas logo serão perdidas definitivamente. Trata-se de esculturas de madeira, imagens de santos, azulejos portugueses e pinturas. Por causa da mancha de umidade, em algumas colunas fica difícil perceber se o revestimento é de mármore. Embora a igreja seja limpa com frequência o forte odor de mofo, em alguns momentos, chega a sufocar quem está no interior da construção.

DETERIORAÇÃO

De acordo com o diretor do Hospital da Ordem Terceira de São Francisco, o médico Hernan Fernandez, a última benfeitoria realizada foi a reforma do telhado para conter as infiltrações que aceleravam o processo de deterioração. “Isto há quase cinco anos, mas a capela precisa ser restaurada por especialistas para evitar a desfiguração das obras”, frisou. Ele destacou que o arquiteto Antônio Landi chegou fazer uma reforma completa na edificação, dando ao templo os traços da arte italiana. A capela é uma das mais antigas de Belém e foi construída quase que na mesma época em que a Igreja do Carmo, que está em obras de revitalização, e de Sant’Ana, já reformada.

Hernan reforça que a edificação é tombada pelo Estado, mesmo assim poucas instituições de patrimônio manifestaram interesse na restauração do templo. “Têm diversos projetos e estudos, inclusive desenvolvidos pela UFPA (Universidade Federal do Pará), voltados para a capela. Inclusive a Embaixada Americana já manifestou interesse em ajudar, mas não sei o porquê dos projetos não conseguirem ser levados adiante”, lamentou o diretor.

O diretor informou ainda que existe um laudo do Corpo de Bombeiros que informou que a edificação não sofre riscos de desabamento.

O superintendente substituto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Pará, João Veloso, destaca que já houve interesse do instituto em tombar a Capela de São Francisco, mas o projeto foi recusado pelo Conselho de Cultura, pois a construção já teria sofrido uma descaracterização de sua forma original.

Veloso aponta que uma das alternativas seria a direção do hospital apresentar um projeto ao Ministério da Cultura para pedir recursos do PAC Cidades Históricas para fazer a reforma. “Mas para isso o hospital precisa estar ligado a alguma fundação ou associação cultural”, atentou.

Hernan Fernandez informou que o hospital tem apenas o caráter social, o que não é suficiente para garantir os recursos do Ministério da Cultura.

(Diário do Pará)


AGORA VAMOS AGUARDAR AS OPORTUNAS PROVIDÊNCIAS.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

...eu vivi esse tempo.


MANIFESTO
1964! NUNCA MAIS!

Imaginem um tempo no Brasil e que a Palavra ficou de quatro. Isso mesmo, no fatídico ano de 1964, a palavra, sob o julgo de metralhadoras e sob o comando de fardas adornadas com muitas estrelas, ficou de quatro. Nesse tempo, a Palavra foi cassada e decretaram o SILÊNCIO, e apenas, aqueles que já nasceram de quatro tinham o poder e o comando sob a palavra, só eles, os Censores, e donos da “verdade” decidiam e determinavam o que podia ser dito, escrito e publicado. Imaginaram?

Imaginem um tempo, em que os brasileiros, reunidos numa grande abstração chamada Povo, se constituía numa grande massa humana, silenciada, subjulgada, acuada, e que caminhava, sob o efeito letárgico de propagandas subliminares e hinos carregados de pseudo ufanismo. Imaginem uma grande massa humana, caminhando sem respostas, sem rumo e sem esperança. Imaginaram ?

Imaginem um tempo nessa nossa amada Nação, em que a Nação deixou de ser Nação e passou a ser apenas uma abstração estatal comandada por um obscuro “Sistema”, um nome pomposo usado para vestir outro nome feio chamado Ditadura. Imaginaram?

Imaginem um pais, um Estado, uma cidade, um bairro, vigiados e monitorados por homens fardados e que sob o comando do tal “Sistema”  tomavam de assalto a cidadania de brasileiros, abordando, invadindo lares, prendendo, julgando e condenando, de forma sumária, milhares de brasileiros, sem lhes dar o direito de defesa e ferindo todos os preceitos constitucionais de uma Nação Democrática. Imaginaram?

Imaginem um tempo nesse nosso Brasil, em que eleições diretas e gerais, direitos sociais, conselhos municipais e estaduais de direitos, participação popular e protagonismo social, manifestações populares e políticas públicas dirigidas ao ideal de justiça social eram palavras proibidas. Imaginem um tempo em que todas essas ideias e todos esses ideais eram sumariamente abortados à força pelo tal “Sistema” e mais, que essas palavras eram proibidas de serem proferidas e publicadas, e que aqueles que se insurgissem contra a “Nova Ordem“ e tivessem a ousadia de dizê-las, publicamente, eram, de pronto, inquiridos e recolhidos em cárceres até segunda “ordem”. Imaginaram?

Imaginem um tempo nesse nosso Brasil de muitos Brasis, em que milhares de brasileiros sobreviveram, sem voz e na mais absoluta ignorância de seus direitos, numa linha crescente e desumana de pobreza e de exclusão social. Um tempo, em que aparelhos e eletrodomésticos, carros, educação e sobretudo, informação, eram coisas de luxo e se constituíam em privilégio apenas da chamada classe alta oriunda das oligarquias detentoras absolutas das benesses do poder que patrocinavam. Imaginaram?

Dá uma certa angustia só de imaginar, não é? Agora, imaginem o que sente, quem de fato viveu esse tempo, e ainda tem, viva e pulsante, essa memória de dor em sua vida?

Pois, eu vivi esse tempo. Centenas de pessoas, assim como eu, viveram.
Eu não esqueço de cada momento de angustia, incerteza e medo  acontecendo com meu país, minha cidade, meu bairro, meu lar. Não esqueço cada instante em que vi, ao lado de minha mãe e meus irmãos ( mantidos em cárcere privado- isso mesmo), a minha casa ser invadida e nossa paz ser tomada de assalto por homens, com fardas da infantaria de selva que seguindo ao tal “Comando” depredavam nosso lar a procura de supostas provas de “ subversão” que pudessem incriminar o dono daquele lar, esposo e pai daquela família, meu pai Benedicto Monteiro que foi cassado e caçado pelo golpe militar de 64 e que passou anos de sua vida sendo perseguido e torturado pelo Sistema implantado  Comando Militar. Não esqueço de cada instante, desse melancólico e silencioso interlúdio de 10 anos de Ditadura. Tempo que, em nome de uma hipotética, equivocada, distorcida e  fraudulenta “ paz e ordem democrática” foram cometidas as mais inomináveis atrocidades contra cidadãos brasileiros. Não esqueço!

Não esqueço também da sofreguidão e da luta de milhares de brasileiros que atuaram e que lutaram pelo processo de redemocratização de nosso Brasil. De como foi difícil chegar até aqui. 

Mas, hoje, diante do que vejo e presencio nas ruas, nos lares, nos bares, nas praças, e sobretudo, quando me deparo com as mais variadas manifestações de  grupos que ainda representam essas oligarquias, confesso que me assola uma certa angústia e preocupação. 

Sinto uma profunda tristeza e desencanto quando testemunho cenas que ferem a ética e o bom senso democrático. Sinto angústia quando testemunho, pelos meios de mídia, as manifestações, as palavras de pouca ou nada honradez e os ataques covardes e inconseqüentes de candidatos que postulam governar essa Nação. Fico mais preocupada ainda, quando dogmas e “verdades” morais e religiosas servem de instrumentos de manipulação política, proselitismo a favor da fisiologia do Poder. 

Sem essa de os fins justificam os meios! Entristece-me ver profissionais da comunicação prestando-se a esse mau serviço à sociedade. 

Esta Nação, nunca foi xenófoba, fundamentalista e beligerante no trato de suas questões morais e religiosas, então, é bom tomar cuidado com o que é publicado, postado e veiculado nos meios de mídia e nas redes sociais, esse é um caminho equivocado e perigoso. Muito perigoso.

Confesso que sinto uma certa ojeriza e um certo temor quando vejo essas manifestações festejando esse triste tempo de Ditadura.. e o que pior e mais preocupante fazendo campanhas em redes sociais pra que voltem a existir essas forças opressoras.. é simplesmente temeroso. s propagandas eleitorais e me deparo com campanhas  manipuladoras,  Isso me dá ojeriza. 

Não  pertenço a nenhum partido político, não tenho religião. Sou poeta, escritora e minha natureza libertária e libertadora não me permite participar de corrente e grupos políticos, religiosos e até mesmo, literários, não pertenço a coletivos que de alguma forma violem minha liberdade e individualidade. A única Ordem a que pertenço é a Ordem dos Advogados do Brasil, por força de minha militância como advogada. Mas, nem por isso, deixo de exercer o meu direito constitucional de me manifestar política e ideologicamente. E exercendo esse direito e o tendo como dever, manifesto-me sempre, diante de fatos e eventos que possam colocar em risco, mesmo que remotamente, a Democracia e a Liberdade e que possam comprometer todos os avanços, até hoje conquistados em favor de um ideal de Paz e Justiça Social.

Como mãe de três filhos e cidadã desta nação chamada Brasil, eu quero e preciso manter dentro de mim a esperança por um Brasil melhor para todos os brasileiros. Preciso crer e continuar lutando pelos Ideais de Liberdade, de Justiça e Paz Social. Esta foi a melhor herança que recebi de meu pai Benedicto Monteiro, um homem público que foi cassado, caçado, preso, torturado e quase morto por esses ideais.

Eu preciso acreditar, no bom senso dos brasileiros e sobretudo, na sua consciência democrática de não se deixar levar por  campanhas manipuladoras dessa natureza. 

Espero que, de fato, esses milhares de milhares de brasileiros guardem dentro de si a memória histórica dessa nação e que possam, com lucidez, zelar por um futuro melhor para o Brasil.
 1964! NUNCA MAIS

Wanda Monteiro
MANIFESTO
1964! NUNCA MAIS!

Imaginem um tempo no Brasil e que a Palavra ficou de quatro. Isso mesmo, no fatídico ano de 1964, a palavra, sob o julgo de metralhadoras e sob o comando de fardas adornadas com muitas estrelas, ficou de quatro. Nesse tempo, a Palavra foi cassada e decretaram o SILÊNCIO, e apenas, aqueles que já nasceram de quatro tinham o poder e o comando sob a palavra, só eles, os Censores, e donos da “verdade” decidiam e determinavam o que podia ser dito, escrito e publicado. Imaginaram?

Imaginem um tempo, em que os brasileiros, reunidos numa grande abstração chamada Povo, se constituía numa grande massa humana, silenciada, subjulgada, acuada, e que caminhava, sob o efeito letárgico de propagandas subliminares e hinos carregados de pseudo ufanismo. Imaginem uma grande massa humana, caminhando sem respostas, sem rumo e sem esperança. Imaginaram ?

Imaginem um tempo nessa nossa amada Nação, em que a Nação deixou de ser Nação e passou a ser apenas uma abstração estatal comandada por um obscuro “Sistema”, um nome pomposo usado para vestir outro nome feio chamado Ditadura. Imaginaram?

Imaginem um pais, um Estado, uma cidade, um bairro, vigiados e monitorados por homens fardados e que sob o comando do tal “Sistema” tomavam de assalto a cidadania de brasileiros, abordando, invadindo lares, prendendo, julgando e condenando, de forma sumária, milhares de brasileiros, sem lhes dar o direito de defesa e ferindo todos os preceitos constitucionais de uma Nação Democrática. Imaginaram?

Imaginem um tempo nesse nosso Brasil, em que eleições diretas e gerais, direitos sociais, conselhos municipais e estaduais de direitos, participação popular e protagonismo social, manifestações populares e políticas públicas dirigidas ao ideal de justiça social eram palavras proibidas. Imaginem um tempo em que todas essas ideias e todos esses ideais eram sumariamente abortados à força pelo tal “Sistema” e mais, que essas palavras eram proibidas de serem proferidas e publicadas, e que aqueles que se insurgissem contra a “Nova Ordem“ e tivessem a ousadia de dizê-las, publicamente, eram, de pronto, inquiridos e recolhidos em cárceres até segunda “ordem”. Imaginaram?

Imaginem um tempo nesse nosso Brasil de muitos Brasis, em que milhares de brasileiros sobreviveram, sem voz e na mais absoluta ignorância de seus direitos, numa linha crescente e desumana de pobreza e de exclusão social. Um tempo, em que aparelhos e eletrodomésticos, carros, educação e sobretudo, informação, eram coisas de luxo e se constituíam em privilégio apenas da chamada classe alta oriunda das oligarquias detentoras absolutas das benesses do poder que patrocinavam. Imaginaram?

Dá uma certa angustia só de imaginar, não é? Agora, imaginem o que sente, quem de fato viveu esse tempo, e ainda tem, viva e pulsante, essa memória de dor em sua vida?

Pois, eu vivi esse tempo. Centenas de pessoas, assim como eu, viveram.
Eu não esqueço de cada momento de angustia, incerteza e medo acontecendo com meu país, minha cidade, meu bairro, meu lar. Não esqueço cada instante em que vi, ao lado de minha mãe e meus irmãos ( mantidos em cárcere privado- isso mesmo), a minha casa ser invadida e nossa paz ser tomada de assalto por homens, com fardas da infantaria de selva que seguindo ao tal “Comando” depredavam nosso lar a procura de supostas provas de “ subversão” que pudessem incriminar o dono daquele lar, esposo e pai daquela família, meu pai Benedicto Monteiro que foi cassado e caçado pelo golpe militar de 64 e que passou anos de sua vida sendo perseguido e torturado pelo Sistema implantado Comando Militar. Não esqueço de cada instante, desse melancólico e silencioso interlúdio de 10 anos de Ditadura. Tempo que, em nome de uma hipotética, equivocada, distorcida e fraudulenta “ paz e ordem democrática” foram cometidas as mais inomináveis atrocidades contra cidadãos brasileiros. Não esqueço!

Não esqueço também da sofreguidão e da luta de milhares de brasileiros que atuaram e que lutaram pelo processo de redemocratização de nosso Brasil. De como foi difícil chegar até aqui.

Mas, hoje, diante do que vejo e presencio nas ruas, nos lares, nos bares, nas praças, e sobretudo, quando me deparo com as mais variadas manifestações de grupos que ainda representam essas oligarquias, confesso que me assola uma certa angústia e preocupação.

Sinto uma profunda tristeza e desencanto quando testemunho cenas que ferem a ética e o bom senso democrático. Sinto angústia quando testemunho, pelos meios de mídia, as manifestações, as palavras de pouca ou nada honradez e os ataques covardes e inconseqüentes de candidatos que postulam governar essa Nação. Fico mais preocupada ainda, quando dogmas e “verdades” morais e religiosas servem de instrumentos de manipulação política, proselitismo a favor da fisiologia do Poder.

Sem essa de os fins justificam os meios! Entristece-me ver profissionais da comunicação prestando-se a esse mau serviço à sociedade.

Esta Nação, nunca foi xenófoba, fundamentalista e beligerante no trato de suas questões morais e religiosas, então, é bom tomar cuidado com o que é publicado, postado e veiculado nos meios de mídia e nas redes sociais, esse é um caminho equivocado e perigoso. Muito perigoso.

Confesso que sinto uma certa ojeriza e um certo temor quando vejo essas manifestações festejando esse triste tempo de Ditadura.. e o que pior e mais preocupante fazendo campanhas em redes sociais pra que voltem a existir essas forças opressoras.. é simplesmente temeroso. s propagandas eleitorais e me deparo com campanhas manipuladoras, Isso me dá ojeriza.

Não pertenço a nenhum partido político, não tenho religião. Sou poeta, escritora e minha natureza libertária e libertadora não me permite participar de corrente e grupos políticos, religiosos e até mesmo, literários, não pertenço a coletivos que de alguma forma violem minha liberdade e individualidade. A única Ordem a que pertenço é a Ordem dos Advogados do Brasil, por força de minha militância como advogada. Mas, nem por isso, deixo de exercer o meu direito constitucional de me manifestar política e ideologicamente. E exercendo esse direito e o tendo como dever, manifesto-me sempre, diante de fatos e eventos que possam colocar em risco, mesmo que remotamente, a Democracia e a Liberdade e que possam comprometer todos os avanços, até hoje conquistados em favor de um ideal de Paz e Justiça Social.

Como mãe de três filhos e cidadã desta nação chamada Brasil, eu quero e preciso manter dentro de mim a esperança por um Brasil melhor para todos os brasileiros. Preciso crer e continuar lutando pelos Ideais de Liberdade, de Justiça e Paz Social. Esta foi a melhor herança que recebi de meu pai Benedicto Monteiro, um homem público que foi cassado, caçado, preso, torturado e quase morto por esses ideais.

Eu preciso acreditar, no bom senso dos brasileiros e sobretudo, na sua consciência democrática de não se deixar levar por campanhas manipuladoras dessa natureza.

Espero que, de fato, esses milhares de milhares de brasileiros guardem dentro de si a memória histórica dessa nação e que possam, com lucidez, zelar por um futuro melhor para o Brasil.
1964! NUNCA MAIS

Wanda Monteiro